“Às Vezes Eles Arranham”

Os olhos de Cintia arderam e lacrimejaram sob a forte claridade do sol quando acordou. Piscou algumas vezes até poder enxergar novamente. A primeira coisa que pôde perceber, embora ainda estivesse atordoada por conta da festa do dia anterior, foi que não estava em seu quarto, no primeiro andar da casa de Mike, mas sim em algum lugar entre pilhas de materiais de construção e as paredes recém erguidas de uma obra. Era a casa que estava sendo construída na área dos fundos. A segunda, é que estava com os braços amarrados às costas e uma mordaça na boca.

A mordaça era uma daquelas bolinhas de borracha – do tamanho de uma bola de golfe – vendidas em sex shops ou sites de brinquedos eróticos.

Outro fato do qual tomou conta é que estava apenas com as roupas de baixo. Os joelhos ardiam, a cabeça latejava com pontadas de dor que iam e voltavam – como o pêndulo de um sino.

Seus pensamentos estavam embaralhados, e, antes que entrasse em desespero, Cintia tentou alinhar suas lembranças em ordem cronológica, desde o momento em que a festa começou… mas quando fora isso?

Uma pontada de dor a fazia se esquecer de tudo sempre que se aproximava de formar uma imagem que traçasse alguma conexão com os últimos acontecimentos. Estava tudo muito difícil.

Ela olhou ao redor, tentando coletar pistas que a levassem a algum lugar, mas tudo o que conseguiu foi ver tijolos, sacos de areia, cimento e pedra, uma enxada, um martelo, uma caixa de ferramentas e um carrinho de mão tombado que esparramara areia pelo chão. Também identificou a alça de uma blusinha cinza – toda suja – caída ao lado de um dos sacos de areia. Sem dúvida que era a que estava usando na noite anterior, com a estampa dos Beatles, ou pelo menos era o que acreditava naquele instante. Mas nenhuma outra peça de roupa podia ser vista de onde estava deitada.

O sol estava em um ângulo de uns 80 graus. Devia ser umas duas horas, já. O que significava que o restante das meninas deveria estar acordando agora, também.

“Ou talvez todos estejam acordados, aprontando algum tipo de brincadeira com a última bêbada a levantar”

Ela sabia que esse era o tipo de coisa a se esperar de Sara e Will, mas nunca de Jéssica, ela seria cem por cento contra qualquer tipo de brincadeira com quem tivesse desmaiado. Jéssica era o tipo de mãezona do grupo, que tomava conta de todos, não por ser a mais velha, mas por ser seu jeito mesmo. E era por isso que Cintia gostava tanto dela, eram melhores amigas. E tinha também o Mike. Cintia nunca admitiu para ninguém, mas aquele menino a assustava mais do que tudo. Ela não sabia dizer se era pelo jeito alegre e descontraído dele, ou se era pelos incontáveis momentos em que o flagrava observando-a. Não era do mesmo jeito que ele observava Will, ou o decote das garotas – e o dela própria, apesar de não ser tão generoso quanto o de Sara -, mas sim de uma maneira estranhamente maliciosa, com um desejo estranho nos olhos e um sorriso indecifrável no rosto. Ela não sabia dizer se ele seria a favor de uma brincadeira daquelas, como também não podia dizer qualquer outra coisa que se passasse por sua cabeça. Ele era uma incógnita absoluta, divertido, mas muito misterioso. Misterioso demais para o seu gosto.

Cintia nunca conversara realmente com Mike, apenas quando estavam junto com os outros e era tudo muito superficial. Seu relacionamento com ele não era o mesmo com Will. Will era calmo e reservado, quando em público, podia conversar sobre qualquer coisa com qualquer pessoa. Debatia política com a mesma ferocidade com que debatia esportes, e sempre tinha uma opinião bem formada, o que tornava difícil derrubar muitos de seus argumentos. Will era mesmo um cara muito inteligente, e ela gostava muito dele – apesar de ele ir muito na onde da Sara. Já Mike era o oposto. Não que ele não fosse inteligente, pois era, mas de uma maneira que beirava a arrogância. Tinha gosto por derrubar argumentos alheios apenas ridicularizando-os, e pode apostar uma boa grana que ele era muito, MUITO, bom nisso. Mas o que não agradava nada a Cintia era o fato de ele, por estar sempre derrubando ideias com piadas, nunca expunha suas verdadeiras convicções.

Ele poderia muito bem ser de esquerda quando de direita. Católico ou ateu. Podia gostar tanto de homens quanto de mulheres – mas isso era o de menos, afinal, Will só descobrira sua verdadeira opção sexual quando experimentou de ambas safras.

Para resumir, Will era um bom, não, um excelente livro aberto, que você poderia consultar sempre que sentisse a necessidade e que sempre lhe dava os melhores conselhos. Mike era o livro fechado, com capa dura, sem títulos nem ilustrações, do qual você nunca teria coragem de abrir, e se por ventura o abrisse, se depararia com um conteúdo incerto, muito assustador para poder ser discutido à mesa do bar, como em O Rei de Amarelo.

Se dependesse dela, Mike jamais saberia que eles planejavam fazer uma viagem no carnaval. O restante do grupo discordava, apesar de ter absoluta certeza de que mais ninguém se perguntou quais eram as verdadeiras intenções de Mike. Logo ele fora convidado, e, vejam que maravilha, ele tinha uma casa no interior.

“Com piscina e tudo o mais!”, dissera-lhes quando o convidaram, com um sorriso largo no rosto, que seus pais iriam viajar para fora e poderiam ficar com a casa só para eles durante CINCO dias. Cintia admitia que aquilo era muito mais tempo do que esperava passar fora da cidade, afinal, nunca viajara no carnaval.

Então começaram os preparativos para a viagem. Desde então ela sentia um dorzinha no fundo dos olhos, como uma premonição. Um sinal de que deveria ter ficado em casa, no conforto caótico e poluído da cidade. Mas o tempo passou e ela nunca teve coragem de dizer que não queria, sentia-se como um rato em um labirinto, caminhando em direção a uma ratoeira – ao seu inevitável fim.

Poderia dizer que a comparação era um puta  de um drama, mas não na mente dela. Dentro de sua cabeça a sensação era de claustrofobia pura, estava encurralada, precipitando-se contra o muro de concreto como um trem bala a mil por hora.

“Tudo bem”, a parte sensata de sua mente dizia, “vai acabar logo. Vai ser tão rápido que eu nem vou sentir, e quando acabar vou me arrepender por não ter aproveitado de verdade… mas que bobagem!”

Ela sabia agora que foi um erro ter baixado a guarda na frente de Mike. Mas toda aquela história sobre Mister Magoo que tiveram sob a macieira, no pomar ao lado da casa de campo, tinha penetrado em suas defesas e ela simpatizou com o sentimento que ele ainda nutria pelo bicho.

“Mister Magoo?”, ela perguntou quando Mike surgiu atrás de si, subindo os degraus de pedra que levavam ao pomar, no primeiro dia em que chegaram a casa do campo. Cintia estava parada diante da pequena cruz de madeira. Numa das tábuas foram entalhadas as palavras “MISTER MAGOO”.

“Sim, você se lembra do desenho?”, ela se lembrava, vagamente, mas lembrava. “Na abertura, quando ele ficava com os olhos nos dois ‘ós'”, ele imitou o desenho fazendo um par de óculos com os dedos em volta dos olhos. “quando eu era criança achava que ela era igualzinha a ele.”

“Ela…”

“É, minha tartaruga de estimação… Mister Magoo.”

Aquela, pelo que Cintia se lembrava, fora a primeira conversa que tivera com Mike a sós. E, para ser honesta, fora também a primeira vez que não sentira medo dele. Aquele olhar penetrante sumira e ele se parecia muito com um jovem normal, que tivera uma infância normal, com um animal de estimação normal.

“Eu gostava muito da Mister Magoo”, ele continuou, sentando-se à sombra da macieira, ao lado da cruz improvisada. “Todos os dias, depois que eu acordava, eu corria para o quintal para ver como ela estava, e ela sempre estava lá, me esperando, com aqueles olhos gigantes que tinha”, ele riu, foi um som sincero e divertido, até Cintia sorriu e sentou-se ao seu lado. “Eu costumava levá-la para todos os lados, eu não posso te garantir que ela gostava disso, mas eu não judiava do animal, eu tratava ela muito bem”, dessa vez os dois riram.

“E o que aconteceu?”, ela perguntou. Sem saber o motivo, queria saber o que tinha acontecido a Mister Magoo.

“Então, um dia, como outro qualquer, eu acordei e fui tomar o café. Não fiz como nos outros dias, que ia direto para o quintal dar bom dia para Mister Magoo. Não. Aquele dia, não me lembro o motivo, fui direto para a cozinha, onde minha mãe estava colocando pães de forma na torradeira. Com manteiga e queijo, eram meus favoritos! Enfim, eu tomei meu café, conversei com meus pais, e, só então, fui ver como estava a tartaruga…”, ele respirou fundo, parecendo entristecido pelas memórias daquele dia, com o olhar distante, perdido em algum lugar entre as volumosas nuvens que projetavam suas sombras sobre campos verdes e colinas. Cintia via como o sol refletia em seus olhos esverdeados, e como era branca sua pele, com a barba ruiva por fazer. Os cabelos encaracolados caindo sobre a fronte. Era um jovem muito bonito.

“Se ele não mordesse fronha, eu certamente daria em cima dele…”

“Mas quando eu cheguei no quintal”, Mike continuou, cortando os pensamentos de Cintia. “Mister Magoo estava muito quieta, dentro de seu casco ainda. Eu a peguei, achando que estivesse brincando de Esconde-esconde”, ele deu um sorriso amarelo. “Que besteira, não? Mas o que eu ia fazer, eu era criança… a verdade é que ela já era uma tartaruga bem velha… Ela não tinha mais forças para sair de seu casco. Então, eu a levei para o meu pai, que me disse que ela provavelmente não aguentaria até o anoitecer. Eu passei aquele dia inteiro com ela, aqui, sob essa macieira, esperando que ela saísse do casco e ficasse bem… mas ela nunca saiu… Naquela noite, eu e meu pai pegamos uma caixa de sapato, cavamos um pequeno buraco, e fizemos um enterro digno para Mister Magoo. Ele me ajudou com as tábuas.”

Mike parecia triste ao contar a história de Mister Magoo, e Cintia percebera, e ela reagiu da forma que nunca imaginou que reagiria. Ela o abraçou.

Mas que besteira! Se ela soubesse que acabaria seminua, amordaçada e acorrentada numa obra esquecida, sem a menor ideia do que tivesse acontecido, jamais teria lhe dado aquele abraço. Ao invés disso, teria avisado a todos do risco que corriam por confiar em Mike.

Ela ainda não conseguia se lembrar do que acontecera na noite anterior, apenas que havia bebida. MUITA bebida. Quantidade o suficiente para um exército de russos entrar em coma alcoólico. E ela, assim como todos os outros, até mesmo Mike, tinham bebido demais! As imagens começavam a se formar em sua cabeça. Já era o terceiro dia que estavam ali, na casa do campo dos pais de Mike, o que significava que eram três dias de bebedeira intensa.

Sara era a que mais bebia, como sempre, mas dessa vez ela disse que ia beber para esquecer… esquecer o quê?

“Esquecer o quê?”, droga, estava quase, e quando Cintia pensou que a memória não viria, ela veio, atingindo-a no meio dos olhos com o reflexo ofuscante do sol, que revelou algo enterrado na areia derramada do carrinho de mão. Era um relógio.

O relógio de William, meu bom Deus!

“Aquele é o relógio que Sara deu de natal para o Will!”, percebeu, quando as primeiras lágrimas começavam a descer por suas bochechas.

O que é que Sara queria esquecer?

“Das paredes…”, Mike dissera naquela noite, a primeira noite em que dormiam ali. Sara e Will dividiam um dos quartos de baixo, enquanto ela e Jéssica dividiam um dos quartos no andar superior da casa. Fora nessa noite que Sara acordara toda a vizinhança num raio de 20 quilômetros, se é que havia outra alma viva ali, gritando, desesperada.

Jéssica e Cintia desceram correndo, assustadas com os gritos. Chegaram a tempo de ver Sara sair, dizendo que “não voltaria praquela porra de quarto, nem que a porra do Ashton Kutcher estivesse lá dentro!”. Will olhava embaixo das camas, numa das mãos uma lata de SBP, na outra um chinelo. Mike estava em pé ao seu lado, segurando uma vassoura. Estava tão assustado quanto Sara. Para dizer a verdade, ele parecia até pior. Estava pálido, e segurava firmemente o cabo, como uma estátua de mármore em pé ao lado de Will.

“O que tá acontecendo aqui?”, perguntou Jéssica.

Mike a olhou, e Cintia soube que aquilo não era medo, mas sim pavor. Ela entendeu imediatamente o que acontecera.

“Por que você não disse que tinham ratos aqui! Droga!”, berrou Sara, ainda na sala.

“Ratos?”, repetiu Jéssica.

“Isso…”

“Onde?”, Cintia lembra-se de ter perguntado, apesar de não ter o mesmo medo que Mike e Sara tinham de roedores.

Will levantou e jogou o chinelo no chão.

“Sara e eu ouvimos ruídos vindos da parede. No começo achamos que fosse uma barata, mas depois percebemos que estava alto demais para ser uma barata, e só poderia ser um rato, mas não tem porra nenhuma embaixo das camas e nem trás dos armários. Mike e eu olhamos tudo já.”

“Eles só podem estar dentro da parede…”, sugeriu Mike, ainda se agarrando a vassoura como se fosse um porrete de baseball.

Foi nessa hora que todos fizeram silêncio, e Cintia ouviu, bem baixinho, o som de algo “raspando”, dentro da parede.

“Que nojo!”, exclamou Jéssica, e saiu para se juntar a Sara.

“Cintia”, disse Will, olhando-a com cansaço. “Ajude as meninas a se acalmarem, Mike e eu vamos levar as malas para outro quarto e amanhã resolvemos o problemas dos ratos… se é que são ratos.”

Ela concordou, e não voltou mais a pensar no assunto. Até agora, conforme via o sol brilhar sobre os ponteiros prateados do relógio de Will, meio enterrado na areia. Ele estava usando naquela noite, enquanto procurava ratos embaixo da cama.

Meu Deus, o que estava acontecendo? Onde estava todo mundo, e o que tinha acontecido na noite anterior? tudo o que ela conseguia agora eram flashes, momentos aleatórios em que se via livre dos efeitos das bebidas. E o pior de tudo, Mike bebia tanto quanto os demais… mas parecia sempre estar sóbrio, rindo de maneira escarnecedora e, ao mesmo tempo, vigiando, como se esperasse exatamente o momento certo para alguma coisa…

Outra memória surgiu, enquanto o sol descia e Cintia se esforçava para tentar sair dali. Fora quando estavam todos na varanda, bebendo, fumando, dançando e cantando alguma música da Katy Perry, que talvez fosse Last Friday Night. Ela saíra de lá e fora até o banheiro. Precisava aliviar um pouco depois de tanta cerveja.

Estava tudo embaçado e, cristo, o mundo girava ao seu redor. Sorte que ela fora ao banheiro, pois despejaria tudo no tapete da sala se tivesse ficado mais um segundo. Depois de vomitar, ela se lembra de ter ficado um pouco melhor, de ter a visão um pouco mais clara. Foi quando ela encontrou as seringas em uma das gavetas sob a pia. Num primeiro momento, ela apenas se sentiu confusa examinando as ampolas com um líquido transparente dentro, mas depois encontrou algo que a faria passar os próximos dez minutos rindo sozinha entre a pia e o vaso. Claro que era apenas resultado da bebida. Agora ela não veria graça algumas, pelo contrário, a memória só fez com que seu desespero aumentasse mais ainda e que ela tivesse mais certeza de que Mike estava envolvido naquilo. Pior. Que tinha planejado tudo antecipadamente.

No fundo da gaveta, Cintia encontrara algumas mordaças de borracha, como aquelas que se compra em sites de artigos eróticos, ou como a que estava usando nesse exato momento.

“A família de Mike deve ser muito bizarra, puta que o pariu!”, ela se lembra de ter pensado, mas agora eles não se pareciam mais tão bizarros, e sim um bando de maníacos depravados.

Que tipo de doença uma pessoa deveria ter para fazer aquilo com alguém?

Sozinha, entre os materiais de construção, ela ouviu o som de passos. Alguém estava vindo na direção da obra. Cintia encostou-se contra a parede sem acabamento, apreensiva. As lágrimas caíram, e ela sabia que não aguentaria mais quando Mike aparecesse.

E disso ela não estava errada. Ela reconheceu sua voz imediatamente, mas não compreendia o que ele estava falando. Parecia estar falando em outra língua.

Ich habe Pläne, große Pläne… Ich baue dir ein Haus...

Quando Mike surgiu, Cintia não aguentou mais, seus olhos verteram lágrimas que caiam no chão empoeirado da construção e tentava gritar, mas tudo o que escapava era um gemido fraco. Ela encarava o “amigo” com olhos turvos que pediam “por favor por uma explicação”, mas tudo o que ele fez ao vê-la foi sorrir, dessa vez não era como um garoto normal, mas sim daquela maneira enigmática que fazia seu coração parar de bater.

– Cintia! O que você faz por aqui? – ele perguntou, tentando fingir surpresa.

Cintia tentou falar, mas sabia que não conseguiria com aquela mordaça na boca.

– Me desculpe… você não gosta de Rammstein, não é mesmo?

Mmmmhhhhpphhh!

– O que foi, querida? eu não entendi… ah, que coisa, deixe-me ajudá-la com isso…

Ele tirou a mordaça, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele tapou sua boca com a mão e disse:

– Poupe sua garganta, você sabe que de nada vai adiantar…

A boca estava dormente e os lábios estavam rachados e cortados. O maxilar doía depois de passar sabe se lá Deus quantas horas com aquele treco na boca.

– M-m-Mike… O que você está fazendo? – ela perguntou, ele apenas sorriu.

– Você não vê? Estou construindo uma casa… – ele se afastou e abriu os braços – veja, estou construindo uma grande e bonita casa!

– Onde estão os outros, Mike? Por favor, me diga que isso não passa de uma brincadeira! – ela soluçava convulsivamente quando ele se aproximou e sussurrou no pé de seu ouvido:

– Eles estão aqui, querida, juntos com você e eu, cada um em seu respectivo quarto… – Então ele deu um passo para trás e apontou para uma linha de tijolos que se formava a uns 40 centímetros da parede às costas de Cintia. Ela não havia notado aquela fileira de tijolos de cimento, alinhados bem atrás de si, que iam, provavelmente, de uma parede a outra.

– O que é isso, Mike?

– Isso, querida, é onde você vai ficar, é seu novo lar…  – Ele sorriu quando algo, vindo de algum canto daquelas paredes recém erguidas, faz um leve ruído. – Você ouviu?

Cintia teve certeza de que ele era louco e estava tentando fazer alguma palhaçada com ela, mas então, bem distante e quase não dando para ouvir, ela ouviu. Era o som de algo raspando no cimento. Bem devagar. Como ratos dentro da parede.

“Há ratos nas paredes!”, Sara berrava da sala.

Ela estava tão perto de descobrir o que acontecera com seus amigos, mas não pôde evitar as novas dúvidas que surgiam diante de si: quem estava no quarto de Sara e Will na primeira noite, para onde os pais de Mike viajaram, ele não dissera, e o que acontecera, realmente, a Mister Magoo?

Cintia respirou fundo, tentando ao máximo manter a calma.

– E agora…. o que vai acontecer?

Mike virou-se para ela, o sorriso brincalhão nos lábios e aquele olhar indecifrável agora estava cheio de prazer e loucura.

– Você sabe, nós ficamos aqui e esperamos… às vezes eles arranham.

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