Sobre “Às Vezes Eles Arranham”

A primeira vez que li Edgar Allan Poe, eu ainda estava no Ensino Médio. Foi em uma prova/simulado do ENEM que nosso professor substituto de português Rhama passou. Em um dos exercícios de português, um especialmente grande, com pelo menos quatro páginas, estava O Corvo.

Esse, pode se dizer, que foi o meu primeiro contato com o terror na literatura – uma vez que eu já tinha assistido alguns filmes de terror, como por exemplo O Exorcista, de William Friedkin, mas nunca antes lido nada do gênero.

Foi o meu primeiro contato com um estilo completamente diferente do que estava habituado.

Então eu li O Barril de Amontillado. E, se eu fiquei chocado com as últimas cenas de A Janela Secreta (adaptação para o cinema do conto “Secret window, secret garden”, de Stephen King), quando descobrimos que Mort Rainey (Johnny Depp) enterrou o corpo da ex-mulher e de seu marido no jardim atrás da casa, quando eu terminei o conto de Poe eu estava horrorizado.

“Ele ainda está vivo!”, eu pensei quando terminei de ler o livro. Fortunato gritava pedindo “por favor, pare com essa brincadeira e vamos voltar aos festejos, vamos rir juntos disso tudo!”, mas ainda assim, pedra por pedra, o protagonista encerrava ali a vida do homem que o humilhara em determinado momento da vida.

Desde então eu acho essa uma das mais terríveis maneiras de morrer.

Ano passado eu comprei uma coletânea de contos do Stephen King (Pesadelos e Paisagens Noturnas, vol. I, se não me engano), onde li um conto muito semelhante a O Barril de Amontillado. Apesar de ser um conto moderno, O Cadillac de Dolan também tem como força motriz a vingança. De forma mais detalhada, King nos apresenta uma releitura do conto de Poe, inclusive com um final semelhante. Dolan e Fortunato acabam enterrados vivos – de maneiras ligeiramente diferentes.

O conto de fevereiro (sim, estamos em março), não é bem uma releitura minha sobre as histórias de Poe e King, mas tem a mesma premissa claustrofóbica. Em Às Vezes Eles Arranham, eu quis brincar com essa ideia. Fiz umas alterações aqui e ali, analisei algumas ideias, e voi: tinha o conto pronto na minha cabeça.

Mas ao invés de inserir vingança como força motriz da trama, eu optei pela simples e conhecida maldade humana. Mike é o típico Carinha de Anjo, que na verdade esconde um passado de crueldades e solidão.

Confesso que eu queria me aprofundar mais na vida passada dele, e até mesmo nas outras personagens do conto (talvez eu o faça mais pra frente), mas acho que por ora é assim que tem que ser. Então, apague as luzes, e boa leitura.

 

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